sábado, 18 de abril de 2015

A vida na Corte

No século XIII o rei não tinha uma residência fixa e deslocava-se pelo país com a sua corte (ou seja, as pessoas que viviam com o rei - família, alguns nobres, conselheiros, funcionários,…). O rei procurava deste modo estar mais perto das populações e ouvir os seus problemas.

O rei era a autoridade máxima do país. Tinha como funções decretar a guerra, comandar o exército, fazer as leis, ordenar a cobrança de impostos, aplicar a justiça suprema e mandar cunhar a moeda. No entanto, o rei podia consultar as Cortes (assembleias onde participavam os representantes do clero e da nobreza). A partir de 1254, no reinado de D. Afonso III, estas reuniões passaram a contar com a participação dos representantes do povo.

A ação do rei D. Dinis foi muito importante para o país. Era um rei culto e inteligente e tomou uma série de medidas essenciais para o desenvolvimento económico e cultural do país.

O rei D. Dinis.
No seu reinado, o português torna-se a língua oficial, passando os documentos a ser escritos em português; criou-se a primeira universidade em Lisboa e desenvolveram-se a agricultura, a pesca e o comércio.
 
A vida quotidiana nos concelhos

No século XIII muitas povoações passaram a concelhos pois receberam carta de foral. Nestes concelhos, todos os habitantes eram livres e gozavam de uma certa autonomia. Alguns concelhos também tinham feiras que enriqueceram alguns mercadores e artesãos que viviam nas cidades e que dariam origem a um grupo social mais rico e culto chamado Burguesia.

Carta de Foral de Leiria
A carta de Foral era concedida pelo rei. Neste documento estavam estabelecidos os direitos e os deveres dos moradores do concelho (os vizinhos).
Existiam concelhos rurais e concelhos urbanos. Os habitantes dos concelhos rurais dedicavam-se à agricultura e à pastorícia. Nos concelhos que se situavam no litoral, a pesca era muitas vezes a principal atividade dos habitantes.
Nos concelhos urbanos, os habitantes dedicavam-se ao comércio e ao artesanato.
Nos concelhos a administração e aplicação da justiça era entregue aos homens-bons.
Domus Municipalis de Bragança – local onde se reunia a assembleia de homens-bons. Esta assembleia tratava de todos os problemas do concelho.
 
Pelourinho de Penedono. O pelourinho era o símbolo da autonomia dos concelhos. Situado normalmente no centro da povoação, era no pelourinho que eram castigados os que não cumpriam as leis.
 
 
 
 
 
 
A vida quotidiana nos mosteiros

No século XIII, o Clero ocupava uma posição social de grande importância. Recebia grandes doações e privilégios de reis e particulares.

O Clero dividia-se em dois grupos: o Clero Secular (padres e bispos) que vivia junto da população, nas aldeias ou cidades; e o Clero Regular (frades ou monges e freiras) que vivia nos mosteiros ou conventos. Os que pertenciam ao Clero Regular deviam obedecer a uma regra (conjunto de obrigações que estabeleciam os horários e as tarefas).          

No mosteiro medieval vivia uma comunidade de monges.
Principais Funções/Tarefas do Clero:
- a oração Os monges passavam a maior parte do dia na igreja a rezar e a meditar.
- o ensino - O Clero foi, durante muito tempo, o único grupo social que sabia ler e escrever. Além do ensino, os monges também se dedicavam à cópia dos livros mais importantes.

Monge a ensinar e monge copista (copiava os livros)
 
- a assistência aos doentes e pobres - Nos mosteiros existiam enfermarias onde se tratavam os doentes. Havia farmácias (boticas) com remédios feitos a partir das raízes e folhas de certas plantas – funcho, arruda, loureiro, hipericão, etc.
Os monges utilizavam muito a arnica. Esta planta era utilizada como pomada para aplicar nos hematomas.
 
 

segunda-feira, 9 de março de 2015

Respostas

Para os que ainda não acabaram a correção… aqui vão as respostas:

20 – O Clero e a Nobreza tinham muitos privilégios. Possuíam muitas terras, ocupavam cargos muito importantes, aplicavam a justiça e não pagavam impostos.

Funções do Clero: a oração, o ensino, a cópia de livros e a assistência aos pobres e doentes.
Funções da Nobreza: dedicava-se à guerra e à administração do reino.

21 – O Clero secular vivia junto da população, nas cidades, vilas e aldeias, enquanto o Clero regular vivia nos conventos ou mosteiros.

22 –  O Povo.

23 – Dedicava-se à agricultura, criação de gado, pesca, salicultura, artesanato e comércio.

24 – Senhorio era uma grande propriedade de um senhor da Nobreza ou Clero.

25 – Os camponeses faziam  diversos trabalhos ligados à agricultura e pecuária. Eram obrigados a pagar rendas e a prestar serviços.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Os domínios senhoriais

A nobreza e, também, o clero tinham grandes propriedades ou senhorios.
O senhorio era formado pela reserva e por casais ou vilares (terras arrendadas a camponeses que tinham de pagar uma renda e prestar serviços).
 
Um senhorio ou terra senhorial
Nos senhorios, os nobres moravam em casas acasteladas. O mobiliário era escasso – mesas, bancos, camas e arcas onde guardavam as roupas. Colocavam-se tapetes e almofadas no chão e tapeçarias nas paredes para tornar as casas mais confortáveis. Utilizavam-se lamparinas de azeite ou tochas e velas de cera e sebo para iluminar.
Nas suas residências, os nobres organizavam festas e banquetes.
 
Os nobres dentro do seu senhorio podiam aplicar a justiça e recebiam os impostos dos camponeses. A sua única obrigação era proteger as pessoas que habitavam no seu senhorio.
A Sociedade Medieval Portuguesa

A sociedade medieval encontrava-se dividida em três ordens ou grupos sociais:
- clero (“os que rezam”)
- nobreza (“os que combatem”)
- povo (“os que trabalham”)


Membros do Clero

Membros da Nobreza

Membros do Povo
Os dois grupos – nobreza e clero - tinham poder e riqueza.
A nobreza era um grupo social muito poderoso. Ocupava-se, principalmente, na guerra e na administração do território. Enriqueceu à custa dos saques após as batalhas vitoriosas e das doações dos reis, em bens e em títulos, como pagamento dos serviços.
O clero era outro grupo social muito importante e prestigiado. Dedicava-se, sobretudo, a funções religiosas (oração) e ao ensino. Prestava também assistência aos doentes e pobres. Recebia grandes doações e privilégios de reis e particulares.
O povo constituía o grupo dos não privilegiados, mantendo uma dependência face aos grupos privilegiados e quase só tinha obrigações.
Era o grupo social mais numeroso e era constituído por camponeses, artesãos, mercadores e marinheiros entre outros.
Viviam com muitas dificuldades. Pagavam impostos ao Clero, à Nobreza e ao Rei.
Assim, era o Povo que sustentava toda a sociedade.

quarta-feira, 4 de março de 2015

A população e as atividades económicas

A população

No século XIII, a população portuguesa era cerca de um milhão de habitantes, que se concentrava mais no litoral norte.

O aumento da população fez com que se construíssem novas muralhas para proteger todos os moradores das cidades.

 
As atividades económicas

É a partir dos recursos naturais de cada região que se formam as várias atividades económicas. Chama-se atividade económica ao conjunto dos trabalhos realizados pelo Homem a partir dos recursos existentes, para utilizá-los na satisfação das suas necessidades.

A agricultura era a principal atividade económica da população portuguesa na Idade Média, logo seguida da criação de gado.


A agricultura era a principal atividade do povo.

A criação de gado.
 
Na agricultura produzia-se: cereais – cevada, centeio, trigo, aveia e milho-miúdo; vinho e azeite; legumes e frutos; linho.
Na pecuária / criação de gado: Criavam-se: ovelhas e cabras; patos e gansos; porcos, bois e cavalos; recolhiam-se: lenha e madeira; cortiça; mel e cera.
Para aumentar a produção agrícola introduziram-se algumas inovações europeias, como: a charrua; uma melhor adubação das terras.
 


A charrua - permitia revolver melhor a terra, aumentando assim a produção.
 

A pesca e a salicultura (a extração de sal) eram, também, atividades muito importantes.
Pesca


Salicultura


Além da agricultura e da pecuária, o artesanato era outra importante atividade económica.

Nos campos, os camponeses faziam os instrumentos que necessitavam no seu dia-a-dia. Eram feitos à mão ou com o auxílio de ferramentas muito simples. As matérias-primas eram por exemplo: o barro, o vime, a cera, a pedra, a madeira, a cortiça, o linho, a lã e as peles.
Nas cidades, havia já ofícios especializados, como ferreiros, tecelões e carpinteiros.
Oficina de alfaiate.
Ferreiro
Tecelões

O desenvolvimento destas atividades aumentou as trocas comerciais (o comércio). Os produtos eram levados de terra em terra por pequenos mercadores – os almocreves.
Almocreve - pequeno comerciante que transportava de terra em terra e de feira em feira as suas mercadorias.

No entanto, também havia lugares fixos de comércio: os mercados (de menor dimensão) e as feiras.

As feiras realizavam-se periodicamente (semanais, mensais ou anuais). Aí ocorriam os camponeses e os almocreves.
O rei recebia os impostos pagos pelos vendedores e compradores. Os reis também criaram algumas feiras francas – feiras livres de impostos.

A criação de feiras contribuiu para o desenvolvimento do comércio interno, isto é, o comércio realizado dentro do País. No entanto, por esta altura, os portugueses também comerciavam com outros países – comércio externo.

 
Feira medieval.
 
 
 As rotas comerciais no século XIII.
Exportações: o que se vendia para o estrangeiro (sal e peixe seco, vinho, azeite e fruta, cera e mel, peles);                        
Importações: o que se comprava ao estrangeiro (cereais, tecidos, especiarias, metais, armas e objetos de adorno)
Para proteger o comércio marítimo, o rei D. Dinis criou a Bolsa dos Mercadores (uma espécie de “seguro” que pagava aos mercadores os prejuízos de naufrágio ou ataques de navios-piratas).